Cheguei agora pouco do colégio. Se eu tirei o uniforme, tomei aquele banho e cá estou? Haha. Acho que as ordens estão invertidas.
Acho engraçado o quanto a tecnologia encheu os olhos de todos, quase virando uma prioridade na vida. Você agora fica prestando atenção nas atualizações dos aparelhos celular, nos computadores de ponta, nos sites novos e que têm possibilidades de virar febre... São tantos os exemplos de como a tecnologia nos fisgou em cheio, que se pararmos para pensar, nós perceberemos que quase, por muito pouco, não somos totalmente voltados à ela.
Com o salário de seus empregos, agora é quase uma despesa fixa pagar tevês por assinatura, internet para celulares, notebooks, Ipads e aplicativos para os Iphones e Ipods. A fissura pela conexão se tornou tamanha e sem freio que, não duvido muito, muitas pessoas vivem conectadas até mesmo na hora de usar o banheiro. Pelo que eu vejo nas redes sociais, há tantos "Acabei de beber água, que cede", "Comerei algo, já volto", "BOA NOITE, FACE", que eu realmente acho que os dedos de tais pessoas coçam para não digitar um "Estou urinando. Que alívio!". Hahaha. Ah, não torça o nariz! É a mais pura realidade, não?
Ok, ok, às vezes eu também solto um seco e objetivo "Gnight" como despedida, muito vão e aleatório, mas é que carreguei tal costume da era Twitter, que, para ser sincera, acho que acabou. (Acostume-se, é de minha natureza criticar sendo que eu me encaixo na ala dos criticados. Tenho aquela mania de rir dando da minha quanto da desgraça alheia.)
Voltando ao assunto principal, esse ano mudei de colégio. É o meu último ano do ensino médio, e eu encarei um colégio BEM mais forte, e também BEEEEM mais caro. Junto com a mensalidade, vem também um outro nível social. É comum eu andar pelos corredores, jardins e pátio e enxergar a garotada exibindo seus Ipads, Iphones, Ipods e Itudo, só faltando tirar a Apple de dentro da mochila. Haha. Eu não faço questão de ter tais coisas... O único aparelho dentre tantos da Maçãzinha que eu acho interessante é o Ipod Touch, que é um mundo de interatividade e entreterimento. Mas para falar a verdade, eu me contento com um celular que tenha uma boa memória para músicas e ótimos fones de ouvido.
Às vezes eu paro e fico analisando as gerações. Na época dos meus pais com a minha idade, não existiam ainda celulares, e eles eram felizes; não existiam computadores com internet rápida e impressoras poderosas, e eles mesmo assim faziam trabalhos escolares... Hoje, uma criança de seis anos já quer um aparelho mais atual e chora se não o ganhar; quer aquele robô que fala em trilhões de línguas, sendo que só entende uma; quer uma mini-motocicleta de dezenas notas de cem reais, sendo que vai enjoar já na sétima vez que a for desfrutar. Vou a restaurantes e vejo os filhos simplesmente em seus próprios mundos com os Nintendos e PSPs, sem interagir com o real... Com essa de querer sempre dar o melhor aos pequenos, os pais acabam os acostumando e quando veem, estão reféns da própria próle, porque atualmente, é suprindo a necessidade deles pelo novo que esses pestinhas, equivocadamente, calam suas lindas boquinhas.
Essas gerações, tanto minha, quanto dos menores de agora, estão tão vislumbradas com esse novo mundo que a única coisa que enxergam é o mais, o melhor, e muitas vezes, o supérfluo. E cá entre nós, acho muito mais divertido usar a imaginação e criar brinquedos... Eu fui muito feliz com meu centro de tráfego aéreo cujos botões eram borrachas escolares e moedas; minhas panelinhas de R$1,99 cujos interiores eram abarrotados com terra e água para fingir cozinhar um brigadeiro delicioso; e outros exemplos maravilhosos que guardo com muito carinho. Tive uma infância perfeita e não trocaria nem um pouco pela que muitas crianças de hoje vivem.
E com isso, meu grito de hoje vai para O CONTROLE DA TECNOLOGIA NA VIDA DAS PESSOAS. MAIS VIDA, MENOS VIRTUAL!
(Sendo que esse grito tem que ser em alto e em bom tom para mim mesma também. Hahaha.)
Tantos foram os blogs que já criei como forma de exteriorizar pensamentos, angústias e tantos outros sentimentos difusos os quais acho dificuldade de compartilhar fora do irreal ou superficial.Escrever em lugares como este, para mim, é como se eu conversasse com a parede. Não há julgamentos, olhares tortos ou qualquer gesto de reprovação. Essa minha preferência pelo vazio, ou a falta de retorno, não é por eu me ver como alguém de princípios equivocados, distorcidos ou por pensar que ninguém me entende.
Como eu disse, é apenas uma preferência, uma opção na qual me sinto mais à vontade com o meu próprio eu, e assim, para que eu possa analisar meus passos, meus erros e aprender com tudo o que vivo.
Enfim, faz tempo que não escrevo. Não por falta de tempo, porque pelo meu ver, todos têm pelo menos alguns minutos de folga para algo que realmente goste. Minha última vez, pelo que lembro, foi no começo do mês de abril, antes do falecimento de minha avó. Eu tinha começado um blog onde eu contava a história de uma menina inglesa a qual a aparência e interior contrastavam terrivalmente, mais ou menos como sou, e mais ou menos como todo mundo é; aquele clichê exemplo de sorrirmos quando, na verdade, estamos derrubados por dentro. Mas, como todos os outros sites, não dei continuidade. Minha avó veio a falecer e então, me desliguei de muitas coisas.
Mas cá estou, tentando fazer algo totalmente diferente. Não quero mais dedicar blogs a vivências de antigos amores ou criar personagens, como antes eu os fiz. Estou aqui para falar sobre meus dias, explicitar coisas inconsequentes, sem preocupações de usar as melhores palavras ou como terminar um grande parágrafo. Voltarei a fazer da minha paixão só umas horinhas de relaxamento e até mesmo uma forma de guardar um pouco de mim.
E então, começarei a dar o meu primeiro grito. SEJA ESPONTÂNEO, EVITE PREOCUPAÇÕES, FAÇA O QUE GOSTE E VIVA A VIDA!
